quinta-feira, 21 de junho de 2012

A monarquia universal: Dante

«O poeta incomparável da Divina Comédia escreveu também um tratado de política intitulado: De Monarchia (1311) que deve ser traduzido em linguagem moderna por: «Do Império».
Dante considerava o império como um «principado único tornando-se com o tempo extensivo a todas as gentes». Em três livros o poeta propõe-se «examinar primeiro se o império é necessário ao bem-estar do mundo; em segundo lugar se o povo romano teve razão em assumir o exercício da monarquia; em terceiro lugar se a autoridade monárquica provém directamente de Deus ou de qualquer ministro ou vigário de Deus».
A resposta às duas primeiras questões é positiva. Quanto à terceira, Dante pensa que a autoridade temporal e política, independente da autoridade do Papa e da Igreja, depende directamente de Deus.
Dante introduz assim a doutrina do direito divino dos reis. Para esse efeito elimina os argumentos simbólicos (a alegoria da lua e do sol), os argumentos tirados das Sagradas Escrituras (o poder de Pedro para ligar e desligar as coisas na terra) e tradicionais (a doação de Constantino). O soberano temporal não está dependente do soberano espiritual no que diz respeito aos assuntos públicos. Só lhe deve respeito em virtude da sua qualidade de guia para alcançar a vida eterna.
Concretamente Dante, exilado político refugiado na Itália do Norte, vira-se para o Imperador alemão. Pede o seu auxílio contra o papado, que apoia em Florença o partido dos Guelfos. O apelo, que mais tarde Maquiavel dirigirá ao príncipe libertador, dirige-o Dante ao Imperador pela «Itália escravizada, onde reina a angústia».


In "As doutrinas políticas" - Marcel Prélot