terça-feira, 16 de outubro de 2012

A inversão democrática

A história é uma disciplina com muitas "facetas", imperceptíveis para "os distraídos", sendo a factualidade a principal de todas. Se houvesse um conhecimento mais uniforme (generalizado) da história e das suas implicações, haveria uma outra atitude cívica e política. Não seríamos espectadores passivos destes "roubos descarados", não seríamos desgovernados pelos «mansardistas de serviço», nem viveríamos num regime republicano, altamente lesivo dos interesses das populações, pois que a "traquitana eleitoralista" serve quem muito bem se sabe.
 
 
A data charneira deste processo foi precisamente a de 25-04-1974 em que durante quase um ano o clima de medo foi sendo disseminado pelas populações. Foram estas mesmas levadas a crer que sem democracia representativa não conseguiriam sobreviver e miríades de organizações e partidos políticos foram surgindo como cogumelos, repetindo-se o cenário assustador da 1ª república, a bancarrota e os sucessivos empréstimos levam o país à estagnação financeira. E tudo isto legitimado pelo voto muito democrático.  
 
A nulidade do voto em democracia representativa, e repito, em democracia representativa, está bem expresso na impotência generalizada para alterar o que quer que seja.
 
Afinal só votamos por um partido e por uma cara, o primeiro ministro, findo o acto eleitoral, os ministros são escolhidos não se sabe bem com que critério ou critérios, e não se sabendo bem quem são essas pessoas. Bem que gostava de ver e ouvir manifestações sobre este assunto.
 
A democracia não é só a arte de manipular as massas em surdina, sempre sob a capa da legitimidade do voto; é também a inversão dos valores e dos direitos naturais, onde esses direitos naturais são substituídos pelos novos direitos inventados pelos políticos para benefício deles próprios.

O professor Doutor Jacinto Ferreira, no seu livro, Para um verdadeiro governo do povo a páginas 92 e 93 diz o seguinte: «A sufocação das liberdades, quando não da liberdade total, é o destino fatal de todos os regimes democráticos. É que um dilema terrível surge no caminho das democracias, sobretudo das repúblicas. ou são fiéis à liberdade, e entram, a curto prazo, na anarquia; ou se resolvem a sustentar a autoridade e não tardam em cair na ditadura de um homem ou de um partido.
Profeticamente, o anunciou Alexandre Herculano, ao deixar escrito que na história, o que, geralmente falando, constitui a principal feição do presidencialismo, é servir de prólogo ao cesarismo.
Já Platão havia formulado idêntico prognóstico, nos tempos longínquos da democracia ateniense, ao dizer que da extrema liberdade sai a maior e a mais rude escravidão. E depois de Platão, embora talvez inspirado por ele, disse Oliveira Martins que nenhum sistema político se presta mais à tirania e à burla, do que o sistema aritmético do governo de massas.»


Segundo outros, a democracia parlamentar é a ditadura mais injusta e mais cruel.

Segundo Herculano, guiado pela sua intuição dos fenómenos políticos e históricos, onde predomina a igualdade democrática, a mesma caminha mais ou menos rapidamente para a sua derradeira consequência - a anulação do indivíduo perante o Estado, manifestada por uma das duas seguintes formas - o despotismo das multidões ou o despotismo dos Césares dos plebiscitos.