sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A profecia Miguelista - Restauração do Portugal Monárquico

Um estranho desígnio se abateu sobre a nação portuguesa. Todos sabem, mais ou menos, de onde partiu a ingerência nos assuntos do Estado Português. Mas aquilo que não se sabe, na medida em que deveria ser sabido, diz respeito a um plano traçado por Napoleão e Carlos IV de Espanha, que previa o retalhamento de Portugal em três regiões e o fim da casa de Bragança (Tratado de Fontainebleau). Este tratado tem sido muito mal interpretado pelos historiadores que se limitam a "atirar para canto" as consequências do mesmo, evitando assim falar nos verdadeiros responsáveis por esse tratado.
 
 
 
 
Dom Miguel foi uma figura ímpar que surgiu das brumas, qual "Dom Sebastião regressado", para restaurar o Portugal antigo e amado de todos. Basta ver que logo que Dom Miguel regressa do exílio em 1828, reúne os três estados, coisa que não acontecia há mais de 140 anos, prova evidente do carácter de Dom Miguel, ciente de que só com a concórdia de todos seria possível reverter a situação em que Portugal se encontrava. Infelizmente, e por via dos sucessivos sucessos do liberalismo desbragado, Portugal nunca mais se levantou. Mas a profecia persiste, Dom Miguel não esquece o seu país.
 
Precisamos de "um novo Dom Miguel", que nos aqueça os ânimos e nos faça reviver o Portugal tradicional e antigo, e também, para derrubar esta república apodrecida e corrupta. Viva a monarquia, viva o rei!! 

A Vilafrancada

«Com efeito, a «soberania» usurpadora do congresso instalou-se na capital. Quando a 4 de Julho de 1821, chega a família Real, apressam-se os seus representantes a pôr condições e restrições severas ao desembarque. E reclamam também que, na própria tarde do mesmo dia, o Rei preste juramento à constituição provisória ante o mesmo congresso.
«De maior despotismo não tinham usado o parlamento inglês com Carlos I e o françês com Luís XVI» - comenta acertadamente Artur Herchen...
[...] Elabora-se depois, ao longo dos meses seguintes, o novo Estatuto Constitucional, onde, como nota o Marquês de Lavradio (insuspeito pelo seu conhecido liberalismo) é evidente o propósito de «aniquilar o poder real». E continua, mais adiante: - «A constituição de 1822, baseada na constituição espanhola de 1812, por sua vez se inspirava na Constituição francesa de 1791 era um aborto; os legisladores obcecados com as ideias de liberdade, soberania da nação, etc., haviam... decretado uma Constituição republicana para reger um Monarquia».
 
[...] O descontentamento alarga-se, a cada passo, aos mais variados sectores. Escreve na altura, em carta a um amigo, o insuspeitadíssimo Manuel Martins Pamplona, antigo camarada e amigo de Gomes Freire de Andrade: - «Ninguém sabe onde isto irá parar, mas nada se prevê senão de triste e fatal. As Cortes vão deitando tudo a terra.Tudo é mau e tudo se receia pior». Clero, nobreza e povo associam-se nas mesmas queixas, avolumam a oposição geral ao sistema vigente. Até os militares recebem com atraso as soldadas e por isso exteriorizam o seu desagrado.
 
E, muito naturalmente, é em Dom Miguel que os olhares de todas as classes se concentram. «Os realistas - salienta ainda Artur Herchen - reconhecem com razão no Infante o homem que procuram, o chefe de que carecem: é o sol a nascer. De natureza ardente e resoluta, possui, além dos atractivos pessoais, aquele dom especial que arrebata num chefe e lhe vale a inteira e fiel dedicação dos homens que conduz».
 
Repare-se que dá sinal de si, na Península Ibérica, a Santa Aliança, fundada em Setembro de 1815, após o congresso de Viena e a batalha de Waterloo. Nos finais de 1822, o congresso de Verona confia à França o mandato expresso de restabelecer a ordem em Espanha. Em Abril de 1823 entra no país vizinho, à frente de cem mil homens, o Duque de Angoulême, sobrinho de Luís XVIII. Avança com rapidez e 23 de Maio ocupa Madrid. Quatro dias mais tarde, a 27, em Lisboa, o comandante do regimento nº23, José de Sousa São Paio, demitido por ser parente do Conde de Amarante, insurge-se, marcha com a sua unidade para Vila Franca, escreve de lá ao General Sepúlveda a exigir a demissão do governo e o restabelecimento dos direitos do Rei.
Mal lhe chega a notícia, sai Dom Miguel em plena noite do palácio da Bemposta, seguido, de numerosos cavaleiros entre os quais figuram nomes ilustres do Exército e da Nobreza e coloca-se à testa do movimento. Dirige ao Pai uma breve mensagem em que declara «não poder ver por mais tempo o abatimento do trono contra a vontade de todo o Reino». Logo prossegue: - «Nós devemos manter ilesa a Majestade Real, é um depósito que nos está confiado. Só pretendo servir a Vossa Majestade como Rei e como Pai e libertar a nação».
Apenas é conhecido o pronunciamento, reage o país com entusiasmo e aplauso. Gente de todas as camadas sociais vem oferecer-se ao Infante. O povo está do seu lado!
Tenta o congresso opor-se, condena asperamente o acto e o Soberano chaga a parecer inclinado a puní-lo. Mas, a 31 de Maio, o Regimento de Infantaria 18 aclama-o na Bemposta, aos gritos de «Abaixo a constituição, viva o Rei absoluto!». acede Dom João VI a ir também para Vila Franca, aí se junta ao filho e ambos fazem entrada triunfal em Lisboa a 16 de Junho, entre calorosas ovações populares.
Volta a Raínha do Ramalhão. Derruba-se no Rossio o monumento erguido à vitória constitucional. Num fervor justiceiro, a multidão assalta o congresso, quebra numerosas cadeiras de deputados. Jacobinos, liberais, maçãos emigram em massa. Como recompensa do seu feito, é Dom Miguel elevado ao alto posto de Generalíssimo. Não foi preciso aqui o Duque de Angoulême. Por nossas mãos quebramos o jugo.
 
 
In "D. Miguel I a actualidade do seu exemplo" - João Ameal