quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

As conexões entre a maçonaria e o comunismo II

«E os trotskystas?
Não é raro ouvir que o comunismo marxista-leninista versão trotskysta (o da 4º internacional...) seria mais aberto à maçonaria do que a versão stalinista. Invoca-se como apoio a esta tese dois argumentos. O primeiro diz respeito à personalidade do antigo grande mestre do Grande Oriente, o artista pintor Frédéric Zeller, dito Fred, que foi secretário exilado de Trotsky na Noruega. O segundo antecipa o suporte ao Grande Oriente e à Grande Loja que conduziram à Revolução de Maio de 68. Relativamente ao primeiro argumento, é preciso dizer que Trotsky não seguiu a directiva anterior de usar uma vassoura de ferro para limpar o partido de maçons. O que se sabe de Zeller, é que após a guerra o mesmo se dedicou à sua vocação de artista tornando-se um pintor renomado expondo em todas as grandes capitais do mundo, sendo nomeado em 1953 presidente honorário da federação das belas artes. Tal não significava uma ruptura com o trotskysmo mas não deixa de ser evidente, que este artista, grande amigo de Georges Pompidou, não se manifestasse mais como militante da 4ª internacional. Em verdade, o mesmo regressa ao socialismo da sua juventude fundando em 1956 o círculo fraternal de estudos e acção socialista que reagrupava os maçons socialistas para um verdadeiro trabalho fracçionário nas diversas lojas, o que é de resto, um hábito muito trotskysta.
Zeller foi iniciado em 1953 na loja Avant Garde Maçonnique à l´Órient de Paris obtendo de seguida as dignidades maçónicas até se tornar entre 1971 e 1973 o Grande Mestre do Grande Oriente. Chegamos aqui ao segundo argumento por outra via, pois efectivamente, na Grande Loja julgou-se que a revolução de 68 se aproximava das grandes aspirações de emancipação da franco-maçonaria. E então, da agitação passageira das barricadas, muitos passaram aos laboratórios da Revolução com o Doutor Simon. Na verdade, a única rivalidade que existia entre o trotskysmo e a maçonaria socialista, era apenas de hierarquia e de aparelho».
 
 
Tradução do livro Vérités sur La Franc-Maçonnerie de Bernard Antony
 
 

As conexões entre a maçonaria e o comunismo

«Até à revolução russa, em França assim como em outros países e assim como na Rússia, os franco-mações militavam nos partidos aderentes à 2ª internacional socialista (fundada em 1889, após a dissolução de 1880 da 1ª internacional fundada em Londres em 1864). Numerosos maçons socialistas viram com bons olhos a primeira fase da revolução russa que, com Kerensky, trazia para o poder numerosos irmãos. Uma parte deles aprovaram com entusiasmo a revolução dos sovietes instigada por Lenine e Trotsky.
[...] No 2º congresso da 3ª internacional socialista (fundada em 1919), realizado entre 9 de Julho e 7 de Agosto de 1929, em Petrograd e depois em Moscovo, elaboraram-se as condições exigidas aos partidos socialistas para se transformarem em comunistas. O texto compunha-se de 21 condições para a adesão à 3ª internacional socialista ficou célebre pelo nome "das 21 condições de Moscovo".
 
[...] a 22ª condição: irmão ou camarada, é preciso escolher. O facto é que a maioria dos maçons ignorava ou fazia de conta que ignorava a 22ª condição, que Lenine e Trotsky cozinharam, e que foi provisoriamente secreta, interditando a todo o responsável comunista de ser também maçom. Porquê este segredo? Para não afugentar os maçons dos países ocidentais e nomeadamente os grandes investidores anglo-americanos que financiaram a revolução russa. Por um lado, para os bolcheviques a maçonaria era geralmente entendida como uma associação de "pequenos burgueses" e na Rússia, tal como em França, antes da revolução, foi muito marcada pela aristocracia e protegida pelos Czars. Por outro lado ela repousava sobre um segredo e isso era considerado intolerável para um partido cuja direcção entendia que deveria controlar tudo e todos, sem qualquer influência exterior, principalmente de uma associação fundada sobre o culto do segredo. A 22ª condição não continuará secreta por muito tempo. Durante o 4º congresso da Internacional realizada no dia 17 de Dezembro de 1922 em Moscovo, Trotsky anuncia que a maçonaria "deveria ser varrida com uma vassoura de ferro"! Os idiotas úteis das lojas tinham servido os intentos comunistas, e a 22ª condição seria aplicada em todo o lado sendo a maçonaria proibida na URSS e os maçons dos partidos comunistas teriam que largar o esquedro e compasso e substituí-los pela foicinha e pelo martelo. A vassoura de ferro da Tcheka se encarregaria dos recalcitrantes. Para a França, o 4º congresso impôs ao comité director do partido comunista françês de liquidar antes do 1º de Janeiro de 1923 todas as ligações dos seus membros com a maçonaria.[...] um comunista antigamente maçom não poderia exercer qualquer actividade de responsabilidade no aparelho partidário antes de um período probatório de 2 anos. Mas Moscovo alertava ainda que a dissimulação da pertença à maçonaria por parte dos comunistas seria considerado como um acto de penetração de um agente inimigo no partido, e que seria denunciado perante o proletariado como a ignomínia do indivíduo. Na URSS isso significava, muito simplesmente, uma bala na testa.
Era bem menos perigoso pertencer à maçonaria mesmo sendo comunista, no governo de Vichy do que na URSS dos sovietes. Havia em França cerca de 2000 comunistas e maçons. Alguns deles preferiram a loja ao partido, outros tentaram organizar no seio do partido comunista françês um comité de resistência, ao arrepio das ordens de Moscovo. Foram irremediavelmente expulsos. Apenas uma pequena parte continuou a dupla actividade. Eram considerados os "olhos de Moscovo" e estavam permanentemente vigiados e serviam de espiões, relatando o que se passava na loja.
 
Continua.
 
Tradução feita do livro Vérités sur La Franc- Maçonnerie de Bernard Antony.