sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A maçonaria e a cultura da morte

«O doutor Pierre Simon, maçónico, faz referência no seu livro, A vida antes de tudo, às relações tensas entre o catolicismo e a maçonaria. Este mesmo Simon foi grão-mestre da Grande Loja de França e um dos maiores pensadores da maçonaria contemporânea. Foi também um dos principais actores da legislação sobre a contracepção e o aborto, cujos princípios foram desenvolvidos nas lojas. Foi um dos principais artífices da famosa "lei Veil". A sua obra tem interesse em dois pontos, o da concepção da maçonaria e o da filosofia social maçónica. Mas lembremos antes de tudo que o título do livro de Simon, relativamente ao seu conteúdo, constitui um paradoxo ou até uma provocação. Trata-se segundo ele, de exaltar e pregar, em nome da medicina e da sociedade, o direito ao aborto e à eutanásia, mas não apenas o direito, mas também a obrigação!
Desta forma escreve: «Gostar da vida, respeitá-la, implica que por vezes também é preciso a coragem de a recusar. E face ao nascimento de uma criança que seja anormal sem remédio possível, deixar morrer não é preservar a vida?».
 
O que acima se transcreveu, não deixa de ser, sem qualquer tipo de polémica e com palavras parecidas, a argumentação da política nazi desenvolvida por Hitler através do Mein Kampf. Teorias que foram desenvolvidas e postas em prática, pela eliminação selectiva e sistemática de crianças socialmente irrecuperáveis durante o regime nazi.
 
Como vemos, a cultura da morte vem de longe. Foi desenvolvida nas lojas do final do século XVIII e início do século XIX.
Segundo Pierre Simon: «o método iniciático dos maçons, é o ser unificado, o qual é a maçonaria a responsável pela sua criação e pelo despertar fornecido aos maçons. Conseguimos assim, na profundeza arcaica do homem, a sua elevação. Desobstruídos das escórias que são os dogmas, os sistemas e as categorias do mundo. (...) As divisões do pensamento, provocam a ruína mental do homem.
O homem apenas se agita à superfície, a sua natureza profunda é eterna e imortal. É precisamente para o homem se reencontrar, que de tantos em tantos anos surgem as ordens iniciáticas. A sua vocação? Dar significado à vida, a busca comum do ser escondido no fundo do nosso ser e, à luz desta quietude interior, buscar uma moral para o homem de cada época».
 
Estas palavras de Simon mostram bem a vacuidade de um pensamento que repudia a tradição judaico-cristã, negando Deus ao longo de todo o livro. Simon remete para uma alternativa que se baseia numa crença insípida baseada numa eternidade que nada tem a ver com a criação segundo Deus revelada na Bíblia. É um sincretismo indiferenciado de ideias e matéria, totalmente desligada de qualquer coerência ou factualidade científica.